Resenha “No Mundo da Luna” #BEDA

 

 

 Carina Rissi. “No Mundo da Luna”. Editora: Verus Editora, 2015. 476 p.

" - A culpa é sua — ele acusou. — Não sei o que acontece, mas, quando você está por perto, não tenho vontade de quebrar o mundo todo. Só uma ou duas coisas. Acabei rindo. — Engraçado, comigo acontece o oposto. Sempre que você está por perto, tenho vontade de quebrar muitas coisas. Na maioria das vezes é alguma parte do seu corpo, mas acho que isso é irrelevante."

Sou fã da Carina Rissi desde que li seu primeiro livro, Perdida, em 2011 quando participei do booktour da própria escritora. Ano passado na Bienal de São Paulo me tornei ainda mais fã da Carina depois conhecer sua simpatia, e atenção única que cada leitor recebeu durante sua sessão de autógrafos. Gosto dos livros da Carina porque eles são leves, divertidos, muito românticos, e não se preocupam em se atentarem a realidade. Mas, gostar de um livro é não significa fechar os olhos para alguns detalhes que não me agradam totalmente, e apesar de no geral ter gostado da história, No Mundo da Luna não é um livro para todos os gostos, e eu tenho minhas ressalvas quanto ao que vocês podem esperar.

A vida de Luna está uma bagunça, recém formada em Jornalismo ela trabalha na renomada revista Fatos&Furos, mas como recepcionista, seu chefe é o capeta, e seu ex-namorado a traiu. Eis que surge a oportunidade de Luna escrever uma coluna na revista, o horóscopo semanal, mas apesar de ser descendente de ciganos, Luna não sabe nada sobre misticismo, e nem mesmo acredita em previsão astral. A previsão do horóscopo nas mãos de Luna será o pontapé inicial para muitas confusões, e o início de um indesejada e irresistível paixão que vai abalar o seu mundo.

Na sinopse do livro está a seguinte frase “Sem saída, Luna terá que lutar com todas as forças contra a magia mais poderosa de todas, que até então ela desconhecia: o amor” que praticamente define o livro, Luna sente-se atraída por um homem que ela acredita ser o mais errado de todos, e começa a lutar contra o sentimento numa guerra que sabemos que é perdida. Luna não foi criada dentro dos diferentes, e até ortodoxos, costumes ciganos, e é plausível sua atitude de não querer viver conforme esses costumes, mas ela vai aprender do jeito mais difícil que tem que se atentar ao que sua vó cigana tem a dizer.

"― Vladimir, você sabe quem é esse tal cigano Google?"

O protagonistas da vez é o Dante, ele que está longe de ser o cara perfeito, é impaciente e costuma descontar sua raiva nos outros, mas tem um bom coração, é muito profissional, nerd, gosta de quadrinhos, coleciona bonequinhos como funko, e usa óculos! Não preciso nem dizer o quanto me encantei com esse personagem! Dante é uma pessoa fechada, que vai se abrindo com o decorrer da história. Comparado a Luna, ele é objetivo, seguro, e sabe o que quer, já a Luna é insegura, não sabe o que quer, e é completamente desmiolada.

Li resenhas no Skoob em que as pessoas reclamavam que No Mundo da Luna segue  mesma “fórmula” dos outros livros da Carina: Protagonistas que não se dão bem no início, mocinha imatura, a melhor amiga, figura do avô ou avó para guiar a personagem, mocinho que se esconde atrás de um jeito durão, mas na verdade é carinhoso e atencioso. Durante a leitura  notei essas semelhanças, mas não acho que isso seja um problema, afinal é chick-lit, o livro só se preocupa em criar tramas para ser romântico, engraçado, com uma dose de drama, e que o resultado seja uma leitura prazerosa, e isso que o No Mundo de Luna é.

Mas, por outro lado, pode ter sido esses muitos clichês que não me fizeram gostar desse livro tanto quanto gostei dos outros livros da Carina. A Luna também não me ajudou a favoritar o livro,  ela nega os seus sentimentos,  mas sempre acaba na cama com Dante, o que a torna extremamente incoerente. Ninguém faz o que não quer por vontade própria,  e me perguntei se a Luna era muito lenta, infantil, ou simplesmente não enxergava o que estava na sua frente.

"Algumas pessoas não pertencem a ninguém além de si mesmas. E a beleza da coisa está aí. Elas nunca pertencerão, mas podem - e vão - escolher alguém para dividir as aventuras. A insegurança sempre nos faz querer, ter precisar, possuir, colecionar coisas ou pessoas, mas não seria melhor, em vez de possuir alguém, ser escolhido por esse alguém e ter a escolha também?"

Fiz esses apontamentos para que os leitores tenham as expectativas certas e saibam o que vão encontrar durante a leitura, porque não é um romance para todos os gostos. Personagens como pessoas tem seus defeitos, infantilidades, e muitas vezes não sabem lidar com seus sentimentos, No Mundo da Luna mostra isso com clareza. Quando o círculo está se fechando e sabemos que algo tem que acontecer para a história se resolver, os acontecimentos finais do livros são dignos de novela mexicana.

Os livros da Carina são viciantes, precisamos ler mais e mais, somos envolvidos pelo relacionamento dos personagens, e não conseguimos parar de ler o desenrolar da história até o final. A escrita da autora é impecável,  ela sabe como criar as situações muito engraçadas, e outras extremamente dramáticas. Vocês podem esperar momentos muito românticos, Luna e Dante funcionam muito bem como casal, a química entre eles é palpável.

Se você procura uma leitura leve, bem humorada, com momentos românticos daqueles que nos fazem suspirar, personagens que fazem confusão por falta de comunicação, e não liga para clichês, No Mundo de Luna é uma ótima pedida!

  

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