Precisamos conversar sobre Preconceito Literário #BEDA

As pessoas estão lendo cada vez mais no Brasil, mais especificamente os jovens, entre os livros mais vendidos estão John Green, Kiera Cass, Paula Pimenta, e muitos outros autores que escrevem livros para pré-adolescentes, adolescentes, ou jovens adultos, mas nada me impede de ler esses best-sellers em qualquer momento na minha vida, correto? Sempre quis escrever sobre preconceito literário no blog, mas nunca surgiu a oportunidade, até que essa semana estava vendo um vlog literário sobre um escritor que eu gosto muito, Milan Kudera, e a pessoa que falava no vídeo enfatizou que era preciso ler mais livros assim  porque “atualmente a literatura estava sendo nivelada por baixo”, era só dar uma olhada nos best-sellers.

Literatura sendo nivelada por baixo amigo? Por isso precisamos conversar sobre preconceito literário.

Atualmente vivo no meio acadêmico e preciso ler livro técnicos, filosóficos, e etc, mas não deixo completamente os livros que leio simplesmente por prazer de lado, por causa do blog, mas principalmente porque ler esses livros me deixa feliz. Dependendo do livro que carrego comigo os olhares são diferentes, e se é um livro de romance pode ter certeza que algum colega irá me zuar, um dia uma certa pessoa da minha faculdade sentiu-se livre para pegar o exemplar de Como eu era antes de você da minha mesa e começar a ler em voz alta, ódio define o que eu senti, e vergonha também, não pelo livro, mas porque me senti exposta com a brincadeira maldosa da pessoa que esperou a oportunidade de encontrar um livro rosa nas minhas coisas para zombar do que eu estava lendo.

O que relatei foi um exemplo de preconceito literário que aconteceu comigo, mas que acontece com muitas outras pessoas todos os dias, geralmente o preconceito é feio por pessoas que não leem. Mas, acreditem, todos nós temos preconceito literário, imagine a seguinte situação: Você conhece uma pessoa e ela te fala que adora ler, logo você se identifica, mas ai ela cita aquele livro ou aquele gênero literário que você odeia, vai falar que você não fica nenhum um pouco sem graça? Isso acontece com as melhores pessoas, é normal, mas precisamos conversar mais sobre preconceito literário para que ninguém caia no seu conceito apenas por estar lendo o livro X ou amar livros de auto-ajuda, por exemplo, afinal as pessoas que leem têm mais empatia (ou deveriam ter), não é mesmo?

Preconceito com as coisas mais diversas infelizmente fazem parte do nosso dia-a-dia, mas se você ama livros, se sente mais inteligente por ler determinados escritores, e diz que a leitura precisa ser incentivada, mas em contrapartida faz discurso odioso sobre best-sellers e até mesmo crítica gêneros literários inteiros como os livro jovens adultos, você está fazendo isso muito muito errado, ninguém incentiva literatura fazendo outras pessoas se sentirem constrangidas pelo o que elas gostam de ler.

Não estou dizendo que devemos amar todos os livros e não criticá-los, mas uma coisa é criticar e continuar incentivando a leitura, outra bem diferente é dizer que “atualmente a literatura está sendo nivelada por baixo”, como se livros jovens adultos não enriquecesse em nada os leitores. Conheço inúmeras pessoas que começaram lendo Stephanie Meyer e que se tornaram leitores assíduos e hoje leem clássicos, best-sellers, romances, até livros de filosofia apenas pelo prazer de ler. Eu comecei a gostar de ler por causa de Harry Potter, e esse amor pela leitura me ajudou a escolher minha faculdade, e com certeza irá definir o resto da minha vida.

Ler livros simplesmente por prazer também enriquece a nossa vida. As vezes sinto vontade de ler o livro mais leve e romântico que encontrar só para fugir da realidade, me entreter, e me fazer feliz. Ler um livro escrito para adolescentes, amar Diário de Um Banana, pode me fazer parece ou não mais ou menos inteligente, mas quem se importa? Ninguém deveria se importar. Leia livros de vampiros, anjos, dragões, biografias, tanto faz. Ler um livro que não é considerado uma obra prima não te faz ajudar “a literatura atual ser nivelada por baixo” não.

Daqui alguns anos aquele livro infantil, aquele romance, ou um livro do John Green podem virar um clássico, um ponto de referência de nossa época para todo o sempre, quem sabe? Os bons livros duram gerações, e não há distinções de gêneros quanto a isso. A única coisa que importa é ler sempre, seja clássicos, livros nacionais, ou best-sellers, temos que experimentar de tudo, e incentivarmos outras pessoas a seguirem o nosso exemplo. Ter preconceito literário, ser preconceituoso no geral, julgar uma pessoa por um  livro, e criticar o gosto alheio, não te levará a lugar nenhum, apenas será desagradável para quem (ainda) está ao seu lado.

Um comentário:

  1. "Os bons livros duram gerações" <3 <3 <3.

    Particularmente, não sou a maior fã de romances no estilo Diário de Uma Paixão, etc, mas não critico ninguém que lê estes livros, e acho ridículo e odioso esse comportamento preconceituoso, como o da pessoa que pegou o seu livro e começou essa brincadeira maldosa. Uma vez tentaram fazer algo do tipo comigo, com o livro O Diário da Princesa (que eu amo), mas eu dei um sermão no idiota, que ele acabou devolvendo o livro e pedindo desculpas, todo sem graça, porque era um babaca da minha sala (na faculdade), que nunca sequer tinha lido um único livro em toda a sua vida. Chego a sentir pena de pessoas que agem desta forma, porque eles são muito pobres de espírito.

    Tenho 29 anos e a minha série favorita de livros é Harry Potter. Eu sou fã de HP há 14 anos, e dos meus 20 anos pra cá eu sempre ouço "mas você não é meio velha para curtir essas coisas?" Não, não sou. É incrível e é enriquecedor!

    Parabéns pela coragem de tocar em um assunto que muitos evitam <3

    Beijo!

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