#Resenha "A Hora da Estrela" por Clarice Lispector

 

CLARICE LISPECTOR. A Hora da Estrela. Editora: Novo Século, 2014. 328 p.

“(…) Se tivesse a tolice de se perguntar "quem sou eu?" cairia estatelada e em cheio no chão. É que "quem sou eu?" provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.”

A Hora da Estrela foi o meu primeiro contato com um livro da Clarice Lispector, autora celebre que possui uma obra muito diferente e original, isso eu já posso afirmar. É difícil encontrar palavras para descrever este livro de uma maneira adequada, que faça jus a história. Peço antecipadamente perdão por essa resenha singela, explicarei da maneira mais clara possível minhas impressões pessoais sobre este livro realista (e pessimista), e o porquê de eu não querer relê-lo.

A obra é narrada por um alter-ego da Clarice Lispector, ou seja, a escritora usa-se do personagem, o escritor Rodrigo S.M., para em sua narração revelar-se para os leitores de maneira indireta, as reflexões e angústias de Rodrigo demonstradas no livro, são na verdade de Clarice. Gostei muito desse mecanismo que a Clarice usou em A Hora da Estrela para contar a história, desta forma ela consegue nos aproximar do narrador e nós faz sentir também s emoções conflitantes que o escritor Rodrigo tem em relação à nordestina Macabéa.

A história de Macabéa é contada por Rodrigo, mas Macabéa não possui nada de especial para ser exposto aos leitores, muito pelo contrário, sua vida é desinteressante, ela é de uma pobreza que beira a miséria, não tem amigos nem parentes, e não anseia luxos. Nós enxergamos a miséria que é a existência de Macabéa, sempre reiterada pelo narrador, mas Macabéa não vê motivos para reclamar, ela não faz nenhuma reflexão acerca sua própria existência, não pensa no futuro, as coisas são assim porque são, sem mais, Macabéa não vê motivos para não ser feliz, então ela é. Na verdade, Macabéa é uma muito ignorante, não tem instrução de nada, e essa sua ignorância que a salva da precariedade da sua existência.

Observando a vida de Macabéa, o narrador faz uma reflexão profunda sobre o próprio viver, a insignificância da nossa existência, o desemparo, a carência, afinal que nós somos para ser mais significantes que Macabéa? Lendo o livro algumas perguntas, sem resposta, ficam na nossa cabeça, há algum sentido em viver? Alguma finalidade? Pessoas nascem, crescem, e morrem, sem alterar nada no mundo, sem fazer diferença, essa em suma é a nossa principal semelhança com a existência miserável de Macabéa.

"(…)Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de gloria de cada um."

O que eu vou escrever aqui agora é uma consideração sobre A Hora da Estrela muito particular. Demorei a terminar a leitura deste livro, porque esta não me deu prazer, não porque achei narrativa ruim, ou não gostei dos acontecimentos, pelo contrário, gostei do modo que a Clarice escolheu para se expressar e achei interessante as reflexões propostas, mas, foi uma leitura que me deixou com um gosto amargo na boca.

Senti uma aura que beira a depressão por parte do narrador, ele sofre pela situação da Macabéa, ele nos leva a reflexões profundas a partir da vida crua que ela leva. Ponderando sobre a história cheguei à conclusão que A Hora da Estrela não é um livro que eu quero reler, porque ao finalizá-lo não fiquei triste, mas o conjunto da obra me deixou para baixo, com uma sensação de pessimismo, acho que essa é a melhor forma de expressar o que senti.

A Hora da Estrela possui quotes fascinantes, isso porque o conteúdo da escrita da Clarice é intenso. Eu defino este livro como um realismo-pessimista. É uma leitura, com uma trama simples, esta que nos leva a considerações maiores. Se você procura um entretenimento agradável não leia este livro. Se você quer começar a ler a obra da autora não indico que comece por este. Acredito que esse livro é único, portanto, quero ler outras obras da escritora. Depois de ler esta resenha, se mesmo assim te interessa esta leitura, leia, e depois venha me contar sua opinião.

“Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite. Embora não aguente bem ouvir um assovio no escuro, e passos.”

3 comentários:

  1. Já ouvi falar muito nesse livro, mas nunca tivesse curiosidade com a história. Não sei dizer se esse peso que você sentiu é algo bom; talvez tenha sido a própria intenção da autora, afinal nem todos os livros são só flores né. Mas por outro lado é meio chato também ser algo tão forte assim

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
    Tem tag do skoob no blog, vem ver!

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  2. Oi Gabi!
    Eu nunca li nada da autora, acho que tive que ler esse livro na época do vestibular mas acabei lendo o resumo mesmo.
    Não curto livros pessimistas, prefiro leituras com finais felizes, então não leria.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  3. Oi Carol!
    Pois é, acredito que foi intenção da autora sim, e a história do livro em si não é pesada, é bem simples (talvez o final seja um tanto pesado). O problema é a aura do realismo extremamente pessimista! Não gostei :(

    Olá Sora!
    Gosto de leituras mais alegres e de dramas também, mas esse livro é uma exceção! haha

    Obrigada pela visita! ^^

    Beijos,

    Gabi
    Mundo Platônico

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