#RESENHA “Cidade do Fogo Celestial” - Os Instrumentos Mortais #6

CASSANDRA CLARE. Cidade do Fogo Celestial. Galera Record, 2014. 532p. Skoob. 1234<3

E a série Os Instrumentos Mortais, depois de sete anos, acabou. Mas, os caçadores de sombras não. Escrevi mais uma análise de tudo o que aconteceu neste último livro da série do que uma resenha, preparem-se para um grande texto! Spoilers para quem não leu os livros anteriores e As Peças Infernais. Sem spoilers para quem não leu Cidade do Fogo Celestial, e é essencial para quem já leu vir debater comigo sobre os principais pontos deste final de série.

"Somos todos parte do que nos lembramos. Guardamos em nós as esperanças e os medos daqueles que nos amam. Contando que exista amor e lembrança, não existe perda de fato."

Cidade do Fogo Celestial foi um turbilhão de emoções, e nos não poderíamos esperar menos. Comecei a leitura muito lentamente porque não queria me despedir, e a narrativa da autora é tão cheia de detalhes e acontecimentos que criei o hábito de saborear bem o começo de seus livros, com todos os dramas e conflitos não resolvidos, só para depois não parar nem por um segundo quando a história chega ao seu ápice. Os momentos finais do livro são de cortar o coração, pois a autora é exímia em nos fazer torcer e chorar por seus personagens, e nós nos apegamos a todos eles, por um lado é bom porque nos envolvemos completamente com a história, mas também é triste porque nem todos os finais são felizes.

Não vou comentar muito sobre a trama em si nessa resenha porque quem acompanhou a série até aqui está ciente do que está ocorrendo, a batalha final contra Sebastian Morgenstern e seus caçadores de sombras obscuros se aproxima, a Clave está despreparada, as divergências internas são cada vez maiores, e Sebastian conhece todos os seus pontos fracos. Clary e Jace podem reverter essa situação, pois são os únicos que conhecem o inimigo suficientemente bem para conseguir superá-lo, e Jace possui o poder do fogo celestial em suas veias, única arma que pode matar Sebastian e assim colocar um fim nessa guerra.

Simon continua sendo um dos meus personagens favoritos, o que deixou os acontecimentos finais desse livro extremamente tristes para mim, quase perdi a fé na capacidade da Cassandra Clare de resolver tudo da forma mais surpreendente possível, quase. O final do livro foi condizente como o que foi proposto em todo a série, e não me desagradou de nenhuma forma. Não chorei rios de lágrimas como fiz em Princesa Mecânica, na verdade nem chorei, mas sofri da mesma forma, torci muito para que tudo desse certo, decidi que preciso de um Herondale na minha vida, e acima de tudo me diverti demais, como em todos os livros de Os Instrumentos Mortais.

Clary e Jace estão mais maduros e a relação deles também, e como grande fã do casal adorei todas as cenas dos dois juntos, todas as declarações e a evolução do amor que eles sentem foi muito bonita. Sinto que nunca lerei cenas suficientes do casal Magnus e Alec, Magnus rouba a cena toda a vez que aparece, e é um personagem inesquecível e determinante para ajudar os Shadowhuters (de todas as gerações) a solucionarem seus problemas. Alec não foi um personagem que me conquistou logo de cara, mas aos poucos entendi suas motivações e depois do início de seu romance com Magnus curti bem mais seu personagem e torci para que o casal tivesse um final feliz.

Izzy e Simon eram os que eu mais temia pelas suas vidas, não sei porque eu tinha faz tempo a ideia na cabeça que um deles, ou os dois morreriam no último livro da série. Izzy é uma personagem muito forte e determinada, que sabe o que quer, mas ao mesmo tempo é muito emotiva e depois da morte do Max a personagem sofreu um abalo grande demais, só alguém como Simon para ajudá-la a superar. Simon sempre foi o meu personagem favorito, ele e Jace conseguem fazer piada mesmo nas situações mais complicadas, o que deixa o clima mais leve e o livro muito mais divertido, choramos e rimos ao mesmo tempo, literalmente. E graças ao Simon que temos muitas citações ao mundo da cultura pop e nerd mundana o que é extremamente divertido, ri demais quando Simon fala para Izzy que vai atualizar o status de seu relacionamento no facebook.

Jace Herondale (gosto de dizer seu nome completo) foi um dos personagens que mais cresceu na história comparando ao que lemos em Cidade dos Ossos, sua personalidade não mudou, mas ele definitivamente se tornou uma pessoa melhor e todo aquele distanciamento foi embora. Ainda bem que características como o sarcasmo e o humor negro que tanto amamos jamais mudarão. Clary está menos ingênua, e apesar de não ser uma das minhas personagens favoritas ela não decepciona de maneira nenhuma como protagonista, e prova de um modo positivo que é tão filha de Valentim quanto Sebastian. Minha protagonista favorita dos livros da Cassandra ainda é a Tessa (As Peças Infernais). Aproveito para comentar também sobre a Jocelyn, ela nunca me agradou muito, mas é corajosa e ninguém pode negar isso, nos últimos acontecimentos da história ela ganhou muitos pontos comigo. O diálogo da Jocelyn com o Sebastian, em que ela fala o que o filho herdou dela esta entre os melhores do livro.

"Heróis nem sempre são os que vencem. Algumas vezes, são os que perdem. Mas eles continuam lutando, continuam voltando. Não desistem. É isso que faz deles heróis."

Sabe aqueles vilões que de fato causam temor, e com o passar do tempo (e depois de diversas maldades) conquistam o nosso respeito? Aqueles que roubam a cena, responsáveis pelos melhores diálogos? Assim era Valentim. Sebastian, ou Jonathan como ele não prefere ser chamado, é pior de diferentes formas. Seu personagem me causa arrepios toda vez que aparece, basta a mera citação dele no livro para eu já me preparar para o pior. Sebastian é um vilão muito bem construído, é mal por escolha própria, mas principalmente por essência, o que por diversas vezes me causou muito mais pena do que raiva. Além disso, ele é extremamente inteligente, sabemos do seus objetivos, mas seus métodos são sempre surpreendentes, ele argumenta muito para trazer Jace e especialmente Clary, que é o seu objeto de desejo, para o “lado negro da força”, mas não há argumentos que apaguem tudo de ruim que ele já fez, como o assassinato do Max. A cena de “Cidade das Almas Perdidas”, em que Sebastian tenta abusar da Clary quando o Jace está longe foi a mais chocante da história para mim, fazia tempo que eu não sentia medo de um personagem como senti dele, o seu tão esperado fracasso vem com um alívio enorme, mas também traz uma certa tristeza que só lendo o livro para entender.

Quando escrevi no começo da resenha que os caçadores de sombras ainda não acabaram é porque a autora deixa um gosto muito forte de quero mais com este último volume de Os Instrumentos Mortais. Ano que vem (talvez) teremos o lançamento de The Dark Artificies (Os Artifícios das Trevas) e os seus personagens principais são nos apresentados ainda crianças neste livro, e não apenas apresentados, Emma, Julian, e seus irmãos ganharam um destaque muito grande, já ficamos sabendo desde agora algumas das inquietações da próxima série Shadowhunter. Eu particularmente adorei os novos personagens, Julian Blackthorn é amável, e sua relação com seus (muitos) irmãos será um ponto alto em TDA (The Dark Artificies), acredito que Emma Cartairs será a protagonista mais forte escrita pela Cassandra, isso porque ela e os Blackthorn passam por muitas situações difíceis neste livro, o que será determinante para o desenvolvimento de suas personalidades em TDA.

Um das melhores coisas deste livro, e a grande sacada da Cassandra Clare, é a forma como ela liga suas diferentes histórias e personagens. Em Cidade do Fogo Celestial, temos a presença de personagens de As Peças Infernais, para a felicidade geral de todos os fãs, estes que são antepassados dos personagens de Instrumentos Mortais e Artifícios das Trevas (TDA) também! Claro que fiquei nostálgica com o final dessa história, mas o clima é diferente quando temos certeza que vamos ler como anda a vida dos nossos personagens favoritos em outros livros, já pensou como seria legal ver Jace e Tessa, Jem e Emma, tendo cenas juntos em TDA? SENSACIONAL! Uma emoção rara, fruto de uma série (a de caçadores de sombras em geral) muito bem escrita e planejada. Estou triste porque não acompanharei mais Clary e Jace de pertinho, mas a história deles continua e com a Cassandra Clare podemos ter certeza que tudo ficará melhor e muito mais emocionante, se é que isso ainda é possível.

"Livremente servimos, Porque livremente amamos, 
Conforme nosso arbítrio de amar ou não, Assim nos erguemos ou caímos."

Como a Cassandra Clare pretende escrever mais (espero que muito mais!) sobre o mundo dos caçadores de sombras, não são todos os conflitos que são resolvidos e algumas importantes pontas ficam soltas. Acredito que a traição de um dos povos do submundo que quebra os acordos para se juntar a Sebastian será determinante nos próximos livros. A Clave não deixa de ser menos opressora para evitar uma guerra, pelo contrário só gera cada vez mais ódio contra ela mesma, eu particularmente nunca fui muito fã da Clave e espero que eles aprendam com seus erros da pior maneira possível. Nos últimos livros a Clave vem tomando uma posição perigosa como vilã da história por meio de atitudes que prejudicam seres do submundo e caçadores de sombras, lembram como o Jace foi maltratado em “Cidade das Cinzas”? Estou muito ansiosa para ler como a Cassandra vai resolver os problemas internos dessa instituição, ou como ela vai destruí-la de vez.

Muito obrigada Cassandra Clare. Muito obrigada por essa fantástica história, pelos melhores casais, os vilões que realmente nos convencem que vão ganhar no final, pelas diversas lições de amizade, fraternidade, e fé em nós mesmos e nas pessoas que amamos, e que amar não é destruir, afinal.

Ave atque vale, Os Instrumentos Mortais.
Saudações e adeus.

6 comentários:

  1. Esse livro é incríveel! Toda a série consegue nos envolver com uma facilidade gigante, e eu amei também como a Cassandra conseguiu interligar três séries num livro só, tendo assim personagens tão marcantes no mesmo lugar!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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  2. Isso é a melhor coisa do livro mesmo Carol! É o melhor é que a Cassandra irá fazer muuuito mais! Esse é só o começo! Ainda vamos ter, até o momento, mais três séries shadowhunters contando com TDA!!!! *-*

    Muito Obrigada pela visita!

    xoxo

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  3. Oi Gabi!
    Concordamos em muitas coisas em relação a Cassandra e ao que ela trouxe para nós em CdFC. Achei o desfecho incrível, muito por conta do crescimento dos personagens como você ressaltou, e também pela junção das suas outras séries. Achei uma tacada de mestre dela esse toque. Também não chorei como em Princesa Mecânica (não tem como superar aquele livro haha), mas eu me senti tão bem como leitora com essa finalização. Foi uma espécie de presente e para mim o melhor livro da série.

    Beijos!
    Aline
    Memoirs and Books

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  4. Oláááá! a
    aaah tava sonhando com esse final a tanto tempo!
    Por mais que não tenha curtido muito o livro 4 e 5 esse sexto foi de arrepiar! :)
    Ao contratrio de você não gostei tanto dela ter introduzido os personagens na próxima série, acho que uma mençao a eles podia ser válida, mas achei um exagero a quantidade de POV dos dois. Ainda mais para quem não tiver interesse em ler maaais uma série dela no meeeeesmo ambiente... entende?!

    adorei as quotes escolhidas!

    Um beeijo Lara.
    Blog Meus Mundos no Mundo | | Página Coração Furta-Cor

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  5. Oláááá! a
    aaah tava sonhando com esse final a tanto tempo!
    Por mais que não tenha curtido muito o livro 4 e 5 esse sexto foi de arrepiar! :)
    Ao contratrio de você não gostei tanto dela ter introduzido os personagens na próxima série, acho que uma mençao a eles podia ser válida, mas achei um exagero a quantidade de POV dos dois. Ainda mais para quem não tiver interesse em ler maaais uma série dela no meeeeesmo ambiente... entende?!

    adorei as quotes escolhidas!

    Um beeijo Lara.
    Blog Meus Mundos no Mundo | | Página Coração Furta-Cor

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  6. Oi gostaria de saber se é melhor ler os 3 livros da serie AS PEÇAS INFERNAIS antes de ler o ultimo livro da serie OS INSTRUMENTOS MORTAIS

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