#Resenha “A Lista Negra”

 

  • Título: A Lista Negra
  • Autor: Jennifer Brown
  • Editora: Gutenberg
  • Páginas: 272
  • Conceito:

E se você desejasse a morte de uma pessoa e isso acontecesse? E se o assassino fosse alguém que você ama? O namorado de Valerie Leftman, Nick Levil, abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola em que estudavam. Atingida ao tentar detê-lo, Valerie também acaba salvando a vida de uma colega que a maltratava, mas é responsabilizada pela tragédia por causa da lista que ajudou a criar. A lista com o nome dos estudantes que praticavam bullying contra os dois. A lista que ele usou para escolher seus alvos. Agora, ainda se recuperando do ferimento e do trauma, Val é forçada a enfrentar uma dura realidade ao voltar para a escola para terminar o Ensino Médio. Assombrada pela lembrança do namorado, que ainda ama, passando por problemas de relacionamento com a família, com os ex-amigos e a garota a quem salvou, Val deve enfrentar seus fantasmas e encontrar seu papel nessa história em que todos são responsáveis e vítimas.

Sabe aqueles livros que já sabemos que vamos gostar desde o começo? “A Lista Negra” ficou por muito tempo na minha lista de desejados, li muitas resenhas positivas sobre o livro então eu já sabia do que a história iria se tratar e não me surpreendi muito. Mas esse também não é o objetivo da autora, o objetivo é nos emocionar, fazer com que realmente reflitamos sobre tudo que os personagens estão vivendo, e sobre as situações que resultaram no terrível 2 de maio de 2008, e isso Jennifer Brown fez com maestria.

“(…) Escondia a raiva que crescia dentro de mim. Raiva dos meus pais por não me apoiarem. Raiva do Nick por estar morto. Raiva das pessoas da escola que atormentavam Nick. Raiva de mim mesma por não perceber que aquilo iria acontecer. Aprendi a conter a raiva, a forçá-la para o fundo da minha cabeça, esperado que ela se dissolvesse e desaparecesse. Aprendi a fingir que a raiva já tinha passado.”

No dia 2 de maio de 2008 Nick Levil, namorado de Valerie Leftman, abriu fogo contra vários alunos na praça de alimentação  de sua a escola. Nick estava atrás das pessoas que ele e Val colocaram na “Lista Negra” todos aqueles que praticaram bullying contra eles. Val nunca imaginou que Nick seria capaz de fazer algo tão terrível, durante o tiroteio ela tentou impedi-lo e foi baleada por Nick, salvando a vida de uma de suas maiores inimigas na escola, apenas para logo depois desmaiar enquanto Nick atirava contra si próprio.

Val foi uma heroína naquele dia, mas também é responsável pela tragédia porque ela criou e escreveu os nomes na lista negra, e muitos acreditam que ela pode não ter atirado, mas com certeza participou de  alguma forma. Quase ninguém acredita em Val, seus antigos amigos, os sobreviventes, a mídia, a polícia, e  até mesmo sua família. A dor física  é a última coisa que preocupa Val agora, traumatizada ela ainda sofre com a perda de Nick, pois ela o amava e ele nunca demonstrou ser uma má pessoa.

Val e Nick sofriam bullying, eram alvos de constantes piadas e até mesmo agressões de alguns alunos do Colégio Garvin, ambos também tinha problemas com suas famílias, os pais de Val tornaram sua casa um campo de guerra e Nick era seu único refúgio. Nick conversava muito sobre morte, Val que o amava seguia seu embalo, mas para Val a lista negra era somente um lugar para despejar sua raiva, para Nick os nomes da lista se tornaram os seus alvos. Eles trocaram e-mails e tiveram inúmeras conversas sobre o ódio que sentiam, mas Val nunca desejou realmente a morte de ninguém, mas deixou Nick acreditar que sim.

  • “(…) Ás vezes, em mundo onde seus pais se odeiam e a escola é um campo de batalha, era ruim ser eu. O Nick tinha sido minha fuga. A única pessoa que me compreendia. Era bom fazer parte de um “nós”, com os mesmo pensamentos, os mesmos sentimentos, os mesmos problemas. Mas, agora,
  • a outra metade desse nós tinha ido embora e, deitada no meu quarto escuro, percebi que não sabia como me tornar eu mesma de novo.”

O livro é narrado sob o ponto de vista de Val, sua recuperação, o interrogatório, e a luta pelo seu auto-conhecimento após a tragédia. Culpada, heroína, Val foi ambas as coisas, e muitas mais do que buscar o perdão dos outros, se é que ela é culpada, Val tem que aprender a perdoar a sim mesma. Fiquei confusa sobre Nick, ele tinha motivos para se chatear, mas nunca para fazer o que fez, e lendo as memórias de Val sabemos que ele não demostrou querer matar ninguém, e se demonstrou ela realmente nunca percebeu.

Val volta depois de tudo o que aconteceu a estudar na mesma escola, ela ainda não se recuperou fisicamente nem psicologicamente, mas mesmo assim volta ao lugar onde muitos a odeiam, culpam, admiram, ou simplesmente não entendem. Estudar novamente com aquelas pessoas, andar pelo local onde a tragédia aconteceu é um novo trauma para Val que como todos os outros ainda está muito abalada. A história gira em torno de sua volta, as lembranças atormentadas do passado, e  a falta de perspectiva de um futuro, Val precisa aprender a lidar com a tragédia, com sua família, e com ela mesma.

O livro é instigante, li apenas em uma tarde pois não consegui deixá-lo de lado. A história é muito profunda e comovente. O que eu mais gostei é que apesar de ser narrado por Val, conseguimos enxergar a sua culpa e inocência, assim como a dos outros personagens também, os sobreviventes e muitos outros que praticaram bullying e nunca imaginariam que tudo acabaria em uma tragédia. Histórias assim provocam muita reflexão sobre atitudes, responsabilidades, e nosso próprio comportamento para com os outros.

  • “- Algum dia você irá me perdoar? - quis saber. (...) - Não. – respondeu sem me olhar. – Talvez isso faça de mim um mal pai, mas não sei se consigo. Não importa o que a polícia disse, você estava envolvida no tiroteio, Valerie. Você escreveu os nomes na lista. Você escreveu o meu nome na lista. Você tinha uma boa vida aqui. Pode não ter puxado o gatilho, mas ajudou a provocar essa tragédia.”

Uma história também sobre perdão, os pais de Val como muitos outros não conseguem perdoá-la, sua mãe não confia mais na filha e também se responsabiliza pelas mortes, seu pai é ausente, eu tentei entender todos os personagens mas não consegui fazer isso com o pai de Val, nem sentir compaixão ou qualquer outro sentimento além de desprezo por ele. O psiquiatra de Val, doutor Hieler também cumpre um papel importante na história, gostei muito do personagem pois sem  ele para acreditar, Val nunca se recuperaria.

Adorei ler a luta de Val para tentar se reencontrar, o que aconteceu naquele 2 de maio mudou a vida de todos os envolvidos para sempre, mas a vida de Val não precisa ser eternamente ligada a tragédia. Amei o livro, com certeza um dos meus favoritos, chorei muito e sinto que um pedaço dessa história sempre estará comigo, assim como outro livro muito querido que também trata de bullying entre outros temas, Antes que eu vá <3 Leitura obrigatória, história inesquecível, e uma mensagem que deveria ser lida e entendida por todos.

3 comentários:

  1. Lendo a resenha já fiquei arrepiada, pq por mais que ela não tenha atirado, a consciência deve ter ficado muito pesada, acho que deve ser um livro que mexe mt com o emocional, quero muito ler.

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  2. muito interessante o assunto do livro. Bullying é mesmo uma coisa muito triste, e nos EUA é bem mais pesado. desse book trailer eu gostei kk combinou com a aura do livro, triste, meio tenso, gostei da música tb
    louca pra ler esse livro
    já leu Os 13 Porquês? é sobre uma menina que comete suicídio, não tem la muito a ver, mas lembrei agora rs

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  3. É a primeira vez que eu vejo e leio a resenha desse livro, eu não sabia dele, mas só por essa resenha se da de perceber que esse livro deve ser muito bom, já quero ler.

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