#Resenha “Caminhos de Sangue” - Dustlands #1

 

  • Título: Caminhos de Sangue - Dustlands #1
  • Autora: Moira Young
  • Editora: Intrínseca
  • Páginas: 352
  • Conceito: 1234

Saba passou a vida inteira na Lagoa da Prata, uma imensidão de terra desértica assolada por constantes tempestades de areia. O lugar não a incomoda, contanto que o irmão gêmeo, Lugh, esteja por perto. Quando, porém, uma gigantesca tempestade chega trazendo quatro cavaleiros de mantos negros em seu rastro, a vida que Saba conhece chega ao fim: Lugh é raptado e ela tem que embarcar em uma perigosa jornada para resgatá-lo. Repentinamente jogada na realidade selvagem e sem lei do mundo além da Lagoa da Prata, Saba não consegue pensar no que fazer sem Lugh para guiá-la. Por isso, talvez a maior surpresa seja o que descobre sobre si mesma: é uma lutadora incansável, uma sobrevivente feroz e uma oponente perspicaz. Com ritmo arrasador, ação constante e uma história de amor épica, Caminhos de sangue é uma aventura grandiosa ambientada em um mundo futurista e violento.

Na distopia pós-apocalítica “Caminhos de Sangue” os sobreviventes são dominados por um tipo de droga, o chaal, cultivado por um rei maluco e sem escrúpulos que sacrifica pessoas para poder sobreviver. Mas os dias desse rei estão contatos, pois ninguém pode separar Saba de seu irmão gêmeo, Lugh. E ela enfrentará a tudo e a todos para ter o seu irmão de volta, nos levando a uma aventura emocionante através dos caminhos selvagens e sem leis das terras de poeira.

  • "Os mesmos homens que mataram o Pai levaram o Lugh, falo. Eu vou atrás deles.
  • Num sei pra onde levaram ele. Pode ser muito longe daqui. Posso demorar
  • um tempo pra  encontrar ele. Mas eu vou. Vou trazer ele de volta."

“Forte… Perfeito para os fãs de Jogos Vorazes”, não gostei quando li essa corajosa declaração do Publisher Weekly,  já imaginei que todos começariam a comparar os livros, o que é ruim para ambos. Mas depois de ter lido o livro eu não poderia concordar mais com essa declaração, realmente a história é perfeita para o público de JV. Mas serem distópicos e possuírem uma protagonista admirável são as únicas semelhanças entre eles, além das brilhantes histórias, claro. Os dois  estão entre os meus favoritos, sem mais.

Nessa distopia fatores como doenças, guerras, e a fome acabaram com o mundo como conhecemos hoje, rios, mares e lagos secaram, deixando a terra árida e um clima implacável. Saba, seu irmão gêmeo Lugh, sua irmã mais nova Emmi, e seu pai vivem na Lagoa da Prata, uma terra desértica assolada por constantes tempestades de areia, até o dia em que tudo muda. Lugh é raptado por homens desconhecidos que matam o seu pai. Saba se vê perdida sem o seu inseparável irmão, a quem ela jura encontrar, e com a responsabilidade de cuidar da irmã que ela culpa pela morte da mãe.

Saba é uma lutadora forte e determinada, não se deixa abalar e vive para encontrar Lugh. A devoção da protagonista pelo seu irmão incomoda um pouco, pois nos olhos dela ele é perfeito, o fato de serem gêmos pode explicar isso, mas cheguei a descofiar do personagem por causa dessa admiração cega de Saba, falta a implicância saudável entre irmãos. Por outro lado, inicialmente Saba despreza a sua irmã, Emmi. Mas Saba é humana e erra, e o desenvolvimento dela é notavel ao longo da história. A Emmi surpreende provando também ser forte apesar de pequena, e se torna uma das melhores personagens do livro.

  • “O Lugh nasceu primeiro. No solstício de inverno, quando o sol fica bem baixinho no céu. Depois fui eu. Duas horas depois. Isso já diz tudo. O Lugh vai primeiro, sempre primeiro, e eu venho atrás.
  • E assim tá bem. Assim tá certo. É assim que tem que ser.”

A narrativa do livro é diferente e ousada, causando estranhamento em todos os leitores. Na história, os livros e mais ainda as pessoas que sabem ler são raras, e as letras foram esquecidas. A autora abusa de termos como “num to sabeno”, “morreno”, “lutano”, entre outros, na linguagem dos personagens que no geral não têm instrução, eu pessoalmente achei genial. O começo do livro é lento enquanto nos acostumamos com a narrativa da autora, nos arrastamos no início da leitura para logo mais não conseguirmos mais parar de ler, por que passando a introdução crucial para a série, logo a ação, e a busca de Saba, realmente começam.

É muito empolgante ler o período em que Saba passa no coliseu da Vila Esperança literalmente lutando para salvar sua vida, mas eu gostaria que a autora tivesse descrevido mais as lutas no livro, afinal são essas lutas que deixam a Saba conhecida por todos como o Anjo da Morte. Uma das coisas que mais gostei na história, além dos ótimos personagens, foi fato das pessoas serem controladas por uma droga, o chaal, que as deixa lentas e manipuláveis, para depois agressivas se usarem a droga em excesso, afinal isso realmente poderia acontecer, e essa ideia realmente funciona em uma distopia.

“Caminhos de Sangue” é uma grande aventura, a trama se desenvolve muito no decorrer da história, e apesar de seu gênio forte, Saba encontra amigos verdadeiros nesta terra onde é prudente não confiar em ninguém. Os personagens são bem explorados, desde as Gaviãs Livres, até o melhor amigo de Saba, o seu fiel corvo de estimação, Nero, que rouba a cena muitas vezes. E também tem o Jack, forte e tão determinado quanto Saba, é ele quem faz o coração dela bater mais forte, um personagem cativamente, mas cheio de mistérios que não são revelados completamente, o romance suaviza a história, e é um pontos altos do livro.

  • “Eu sei que o meu corpo tá dolorido. Deve tá. Mas a dor parece muito distante, como
  • se fosse num sonho. Como seu eu não tivesse mais no meu corpo.
  • Como se tivesse flutuando em algum lugar fora dele.
  • Desculpa, surrurro para Em. (…)”

Os momentos finais de Caminhos de Sangue são muito emocionantes, e a autora consegue resolver tudo neste primeiro volume da série Dustlands, deixando poucas pontas soltas. Estou ansiosa para ler “Rebel Heart”, mas achei ótimo ler todas as peças se encaixando neste livro. Enfim, não deixem de ler “Caminhos de Sangue” e mergulhem nessa grande aventura cheia de surpresas e personagens inesquecíveis (:

 

9 comentários:

  1. Esse livro tem me deixado muito curioso, posso dizer que desde Jogos Vorazes é o livro distópico que mais tem despertado meu interesse. Acabo não lendo as resenhas, mas quase sempre as notas são 5 e o livro é marcado como favorito. Espero gostar da leitura.

    http://sempre-lendo.blogspot.com.br/

    Abraços
    Juan

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  2. É a segunda resenha que leio do livro e é bem positiva, to curiosa quanto a trama, é uma temática que muito me agrada. Uma série com potencial '-'
    beijos

    Amy

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  3. Puxa vida ainda li Jogos vorazes, e sinceramente, não tenho interesse em ler. Mas nunca se sabe... Agora este livro me interessou um pouco, sabe se são 3 livros? Espero que seja uma trilogia!! Obrigada pela dica :-)

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  4. Estou concorrendo a esse livro *-----*

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  5. Tô me interessando muito por esse livro. Inicialmente, não tinha muita ideia do quão bom ele realmente era.
    Mas só vi comentários positivos até agora! Espero poder ler em breve :))

    E estou muito curiosa para ver como é a narração desse livro, está sendo muito comentada também! Quero ver se vou conseguir me acostumar hahah ^^ beijos

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  6. Admito que o nome "Young" da autora já me deixou com um pé atrás :B, e a sinopse também não me deixou interessada.
    Mas a sua resenha, ah, isso sim foi o melhor marketing do livro! Impossível não se animar com a tua empolgação xD

    Assim que li o "Num" no primeiro trecho, pensei que tinha sido algum erro de digitação, até você explicar sobre o linguajar da autora... Ainda me dá agonia ler essas coisas kkkkkkkk, mas foi realmente uma ideia muito boa dela.

    :*

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  7. Com sua resenha fiquei com vontade de ler!! Você escreve muito bem =D

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  8. fui num evento da intrinseca e falaram de caminho de sangue fiquei interessada pois é um livro que lembra um pouco jogo vorazes os dois tem um tema de distopia caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controle da sociedade. Nelas, caem as cortinas, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações é nisso que ambos são parecidos mas estou louca pra ler este livro ^^

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