#RESENHA “Delírio” - Delirium #1

 

  • Título: Delírio - Delirium #1
    Autora: Lauren Oliver
  • Editora: Intrínseca
  • Páginas: 342
  • Conceito:

Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga que todos os cidadãos sejam curados ao completar dezoito anos. Lena Haloway está entre os jovens que esperam ansiosamente esse dia. Viver sem a doença é viver sem dor: sem arrebatamento, sem euforia, com tranquilidade e segurança. Depois de curada, ela será encaminhada pelo governo para uma faculdade e um marido lhe será designado. Ela nunca mais precisará se preocupar com o passado que assombra sua família. Lena tem plena confiança de que as imposições das autoridades, como a intervenção cirúrgica, o toque de recolher e as patrulhas-surpresa pela cidade, existem para proteger as pessoas. Faltando apenas algumas semanas para o tratamento, porém, o impensado acontece: Lena se apaixona. Os sintomas são bastante conhecidos, não há como se enganar — mas, depois de experimentá-los, ela ainda escolheria a cura?

Imagine viver em uma sociedade onde o amor é considerado uma doença letal. Onde meninos e meninas são separados até que tenham idade suficiente para passarem pela intervenção e receberem a “cura” desse mal. Os curados vivem em harmonia, sem dor ou sofrimento, bem longe dos horríveis infectados, e o governo assegura a paz. Assim é em “Delírio”, onde todos vivem sob uma mentira tão  bem contada que é quase impossível despertar para realidade e resistir, quase. 

  • “(…) – Todos estão adormecidos. Estão adormecidos há anos. Você parecia… acordada.
  • – Alex está sussurrando. Ele fecha os olhos e os abre novamente. – Estou cansado de dormir.”

Estive ansiosa pela leitura de “Delírio” desde que me encantei com a escrita de Lauren Oliver em “Antes que eu vá”, e quando soube que a editora Intrínseca lançaria o livro este ano no Brasil, imediatamente ele entrou para minha lista de os mais esperados do ano. Claro que como todo livro que criamos muitas expectativas fiquei com medo de me decepcionar. Como soube muito pouco da história através da sinopse esperei que o livro me surpreendesse, e felizmente ele surpreendeu, se tornando uma das melhores distopias que já li.

Em “Delírio” o amor, (amor deliria nervosa) foi diagnostico como uma doença mortal, responsável por vários maus que assolam a humanidade. Essa doença altamente contagiosa deixa os infectados delirantes, e eles não acreditam que realmente estão doentes, até chegar ao último estágio da doença, quando o coração não aguenta mais e para de bater. Felizmente a “cura” foi descoberta, e todos o adolescentes ao completarem 18 anos passam pela intervenção e deixam esse mal,  como também todas as suas emoções, para trás.

Lena ainda criança sofreu na pele as consequências da doença, sua mãe – altamente infectada pelo deliria - suicidou-se após várias tentativas de cura. O suicídio marcou muito a vida de Lena, e ela cresceu como medo de ser predisposta a ter a “doença” da mãe. Após essa perda Lena passou a viver na casa de seus tios curados e impassíveis, e ela sempre conta ansiosamente quantos dias faltam para sua cura. Quando a doença mortal for embora, ela  finalmente poderá ser feliz com o marido e a vida que escolherem para ela.

  • “Eles mentiram a respeito de tudo – da cerca, da existência dos Inválidos, de um milhão de outras coisas. (…) Disseram que o amor era uma doença. Disseram que ele acabaria no matando.
  • Pela primeira vez percebo que isso também pode ser mentira.”

Lena é “cega” como todos os outros que convive, mas a chegada de Alex em sua vida muda tudo. Alex é diferente, mas não como um personagem de livros clichês, aos poucos ele vai mostrando a Lena que o mundo é muito mais do que ela imaginava, e Lena vai percebendo que ela vivia em mundo de mentiras, e a suposta “harmonia” garantida pelo governo, é imposta através do medo e violentas repressões.

“Delírio” tem tudo o que esperamos em uma distopia, o começo um tanto lento da leitura me lembrou muito "Destino",  outra distopia onde também se vive em uma sociedade opressora. Mas logo a leitura de Delírio segue por caminhos supreendentes, e o diferencial dessa distopia - que é que todas as ações do governo são justificadas pelo fato deles quererem livrar o povo da doença e seus infectados - é muito inteligente. Mais uma vez a autora me surpreendeu com a realidade de suas histórias, e apesar de ser um enredo tão diferente, em nenhum momento senti que ela forçou nada, e realmente acreditamos que tudo poderia acontecer como no livro.

A cura para mim, é na verdade uma lobotomia - intervenção cirúrgica no cérebro, que corta as ligações de qualquer lobo cerebral, ou seja, “tira” as emoções do paciente, e assim a cura realmente funciona e o amor vai embora, mas leva consigo todas as outras emoções que deveríamos sentir. A história é excelente, eu não escolhia outra palavra para descrever porque os melhores livros são aqueles que nos fazem entrar na história, divagar junto com os personagens e sentir todas as emoções conflitantes, e eu realmente fui envolvida pelo universo de Delírio, como há muito tempo não acontecia.

  • “Amor: uma única palavra, algo delicado, uma palavra que não é mais larga ou longa que uma lâmina. É o que ela é: uma lâmina, uma navalha. Ela corre pelo centro de sua vida, cortando tudo em duas partes. Antes e depois. O restante do mundo cai em ambos os lados.
  • Antes e depois – e durante, um momento que não é mais largo ou longo que uma lâmina."

Os personagens do livro são cativantes, Lena é uma protagonista corajosa e que não me decepcionou em suas ações, considerando o modo como ela foi criada e a sociedade em que vive. Alex, como Lena é também muito forte, corajoso e encantador, os dois formam um par ideal, românticos na medida certa. Hana, melhor amiga de Lena, num primeiro momento é a única que parece enxergar a realidade do modo como todos vivem, e apesar de muita coisa mudar com o decorrer da história, ela não me decepcionou. Gracie, uma prima de Lena que nunca fala, é outra personagem especial. Sobre os personagens não tenho mais nada a dizer, os curados são apenas sombras das pessoas que um dia eles foram.

Quem lê a sinopse do livro pode achar a história confusa, ou até mesmo não gostar, mas garanto que cada palavra vale a pena. A autora manteve a sua marcante característica de escrever parágrafos emocionantes de uma maneira inteligente que me faz refletir. Poucas histórias tratam do amor sem se tornarem clichês, e Delírio é uma delas. Chorei e me descabelei com os momentos finais do livro, e quando tudo acabou senti um vazio enorme que só o próximo livro da trilogia, “Pandemônio” vai sanar. Indico esse livro como indico os meus livros favoritos, e espero que realmente já os tenha convencido. Sem mais, apenas leiam.

  

11 comentários:

  1. Gabi,
    Estou louca para ler 'delírio' desde bem antes de saber que ele seria lançado aqui. A estória parece ser muito, muito boa mesmo. Faz bem o meu tipo. *-*

    Já era pra eu tê-lo comprado, porém quando fui comprar ainda não tinha chegado na livraria, e até agora não tive tempo de ir lá de novo. ¬¬'
    Mas será minha próxima aquisição e estou louca para poder ler logo.

    Beijos,

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  2. De fato, pela sinopse eu não me interessei muito, só pela capa que é super linda mesmo. Mas pela sua resenha... Meu deus, eu preciso desse livro agora mesmo, hahaha! Mal vejo a hora de conseguir ler, parece ser bem diferente do habitual *-*

    Você já viu a Gincana de Revitalização que estamos fazendo? As inscrições vão somente até 25/04, corre lá e participe dos desafios, concorrendo a vários prêmios! http://hangoverat16.blogspot.com.br/2012/04/gincana-de-revitalizacao-001.html

    xx carol

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  3. Esse é do tipo de livro que a pessoa se apaixona logo pela capa! Tão linda e brilhante!!! *___________*

    Já estando apaixonada pela capa, li o primeiro capítulo do livro, qual foi a minha reação? NOSSA! QUERO JÁ ESSE LIVRO NA MINHA ESTANTE! \o

    ;*'s

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  4. Nossa, o começo de Delírio é parecido com Destino? Acho que faz sentido, ambos são distopias e tudo o mais. O livro parece ser muito legal, eu estou adorando essa temática nova que começou a fazer sucesso ultimamente.

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  5. Verdade, quando li a sinopse fiquei meio confusa. Mas a capa me conquistou tanto que comprei assim mesmo! rsrsrsrs
    Sua resenha me deixou super afim de pular a fila de leitura. \o/
    Beijos

    http://pollymomentos.blogspot.com.br/

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  6. Um tempo atrás, eu via vários blogs comentando sobre o lançamento do livro. Apesar da sinopse ser interessante, nunca tive taaaanta vontade de ler...
    ... até que a minha amiga me mandou o 1º capítulo! *--*


    Desde então, estava querendo muuito lê-lo. Sua resenha só me instigou ainda mais :)


    Ah, eu nem tinha reparado que a autora era a mesma de "Antes que eu vá"... Estou com esse livro em casa, é um dos próximos da lista de leitura :D


    :*

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  7. Estou lendo esse livro e estou adorando, mas estou com medo de ler quando chegar no final, porque todos, assim como você, dizem que o final é triste, não quero chegar nessa parte! Mas a distopia é mesmo fantástica e eu estou adorando!

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  8. Amei sua resenha.
    E estou super curiosa para saber como é esse livro, muitas pessoas estão falando muito bem dele.

    Beijos :D
    Feh
    http://blogimaginacaoliteraria.blogspot.com.br/

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  9. Estou querendo ele de qualquer maneira.. mas tá difícil hehe Parece maravilhoso e todo mundo anda falando nele né.. preciso ter! Parabéns pela resenha xoxo

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  10. Estou louca pra ler Delírio... eu amo distopias e essa tem um tema que acho que mexe com todo mundo, né? Considerar o amor uma doença que pode até mesmo levar à morte foi uma ideia bem diferente!! Não tinha pensado na cura como uma lobotomia, mas acho que você tem razão!! Espero tê-lo logo em mãos pra poder comprovar isso.

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  11. Opa, voltei aqui porque ainda não consegui ele, você acredita?!?! uahea poxa participei de tantas promoções dele que pensei, ah não vou comprar agora né.. que nada, vou ter que comprar!
    Todo mundo leu menos eu =/ Ele me atrai porque pelo o que eu percebi o romance é bem sutil... e eu gosto disso! Vou ter que adquirir o meu, ainda mais já virou um dos seus favoritos e de muita gente também! hehe
    Parabéns pela resenha novamente (que eu reli hehehe) Beijos

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