#RESENHA A Visita Cruel do Tempo

 

  • Título: A Visita Cruel do Tempo
  • Autora: Jennifer Egan
  • Páginas: 336
  • Editora: Intrínseca
  • Conceito: 12344

Bennie Salazar é um executivo da indústria musical. Ex-integrante de uma banda de punk, ele foi o responsável pela descoberta e pelo sucesso dos Conduits, cujo guitarrista, Bosco, fazia com que Iggy Pop parecesse tranquilo no palco. Jules Jones é um repórter de celebridades preso por atacar uma atriz durante uma entrevista e vê na última — e suicida — turnê de Bosco a oportunidade de reerguer a própria carreira. Jules é irmão de Stephanie, casada com Bennie, que teve como mentor Lou, um produtor musical viciado em cocaína e em garotinhas. Sasha é a assistente cleptomaníaca de Bennie, e seu passado desregrado e seu futuro estruturado parecem tão desconexos quanto as tramas dos muitos personagens que compõem esta história sobre música, sobrevivência e a suscetibilidade humana sob as garras do tempo.

É impossível ler “A Visita Cruel do Tempo” e ficar indiferente ao talento da autora Jennifer Egan. Mesmo que você não simpatize com os personagens e suas histórias, Jennifer Egan te conquista com a sua forma original de dar “personalidade” a narrativa de cada personagem. “A Visita Cruel do Tempo” me proporcionou uma nova experiência com livros, experiência essa que se tornou muito marcante.

“(…) É essa a realidade, não é? Vinte anos depois, a sua beleza já foi para o lixo, especialmente quando arrancaram fora metade das suas entranhas. O tempo é cruel, não é? Não é assim que se diz?”

A sinopse de “A Visita Cruel do Tempo” não nos conta nada sobre o livro, afinal ela cita apenas um terço dos muitos personagens de Jennifer Egan. Nessa resenha não vou poder fazer como as outras e "introduzi-los” um pouco na história antes de dar minha opinião, pois são muitas as histórias que se entrelaçam uma nas outras. O passado, presente e futuro se misturam formando um quebra cabeça completo da vida dos personagens, vidas essas que acabam se deteriorando com o passar do tempo.

Sobre a “personalidade” que Jennifer Egan coloca nas narrativas, esse foi o ponto mais importante do livro para mim, e o que mais chamou minha atenção. A cada novo capítulo do livro temos um novo personagem, e lemos uma situação que esse personagem pode estar passando no passado, em sua juventude, no tempo “presente” que não é bem determinado no livro, ou em um futuro próximo. Esses capítulos nos instigam porque vamos descobrindo aos poucos vários detalhes sobre a vida e o futuro dos personagens.

E como cada personagem representa uma pessoa e toda a sua complexidade, a narrativa vai se alternando de acordo com a “pessoa” que está narrando. Temos capítulos narrados na primeira pessoa, segunda, terceira, em forma de reportagem, e quando a história do livro se torna lenta e nos cansa, lemos um inovador ponto de vista em slides! Essa mudança constante no modo que lemos, tira um pouco o peso das descrições e deixa a história mais dinâmica.

  • "Caminhões passavam nas pontes. A noite aveludada em seus ouvidos. E o zumbido, sempre aquele mesmo zumbido, que talvez, no final das contas, não fosse um eco, mas sim o barulho do tempo que passa".

Os personagens do livro são interessantes ao ponto que todos os seres humanos e suas história podem ser, várias vezes discordei de atitudes que alguns deles tomaram em momentos diferentes de suas vidas, mas é assim que a vida é, fazemos escolhas erradas e temos que lidar com elas no futuro, quando a juventude já se esvaio das nossas mãos. O livro trata-se basicamente das mudanças que sofremos com o tempo, daqui dez anos, por exemplo, podemos estar em um lugar que nunca imaginamos estar.

A vida de alguns personagens sofrem mudanças tão drásticas com o passar do tempo que, algumas vezes quando eu lia como eles estavam no futuro, me perguntava se não haviam dois personagens com o mesmo nome, de tão surpreendente que a vida desse personagem se torna. Muitos tem um “auge” em suas juventudes e acabam no fundo do poço, outros não nos passam nenhuma perspectiva de mudança, mas acabam nos surpreendendo. Vale também dizer que “A Visita Cruel do Tempo” não é um livro fácil de ser lido, a leitura é um tanto lenta e temos que nos acostumar e ler com calma.

Passado e futuro são entrelaçados, e no final do livro temos uma visão completa da vida desses personagens que possuem alguma relação entre si.  “A Visita Cruel do Tempo” me surpreendeu, não pelas histórias em si, mas se como eu você também pretende ter os livros presentes no trabalho e na sua vida, a leitura deste livro em especial, é indispensável. Indico muito essa leitura, e passei a admirar muito a imaginação, inteligência e talento de Jennifer Egan.  

"O tempo é cruel, não é?! Vai deixar ele intimidar você?"

- Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Obra vencedora do Pulitzer, do National Book Critics Circle Award e do LA Times Book Prize no ano de 2011.

7 comentários:

  1. Parabéns pela resenha, Gabi! Ainda não li nada sobre esse livro, mas confesso que fiquei curiosa... esse estilo de leitura está longe de ser meu preferido, mas quando é bem escrito deve-se dar uma chance.

    Beijos,
    whosthanny.com

    ResponderExcluir
  2. Oi Gabi!
    Não é o tipo de livro que normalmente me atrairia, mas a narrativa parece ser muito interessante. Gostei disso que você falou, que o passado, presente e futuro se misturam.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

    ResponderExcluir
  3. Muito boa resenha.
    Também não é meu tipo de leitura, mas me interessei por esse livro.

    ResponderExcluir
  4. Apesar de não ter o estilo literário de A visita cruel do tempo como preferência fiquei instigada com a história.
    Achei bastante interessante esta oportunidade de conhecer diferentes personagens e os rumos que suas vidas tomaram. Não sabemos o que será de nós no futuro, apesar de desejarmos muitas coisas para ele. Esta realidade retratada no livro chama a atenção e ao mesmo tempo que me deixa curiosa também me assusta. Afinal estamos sempre tentando fingir termos o controle do que nos acontece, pelo pouco que li sobre o livro é uma história que nos leva a pensar exatamente sobre isso e na importância de nossas ações no presente.
    A resenha ficou bem legal.

    ResponderExcluir
  5. Apesar de não gostar nem um pouco da capa, esse livro havia me chamado a atenção. Sua resenha é a primeira que leio acerca da obra, e devo dizer que foi o bastante para me convencer a ler A Vista Cruel do Tempo, fiquei ainda mais intrigado para ler o trabalho de Jennifer Egan. Boa resenha!

    http://sempre-lendo.blogspot.com/

    Abraços
    Juan

    ResponderExcluir
  6. Como eu já tinha comentado em um post anterior, achei essa capa bem atraente, apesar de fugir das capas clichês que eu tanto amo :B kkkkkk

    A sinopse do livro não é do tipo que me atrai :~, mas gostei do que você falou sobre a correlação entre os tempos. ISSO sim me atrai *u*

    E você falou que em 10 anos poderíamos estar em lugares inimagináveis... Entendo MUITO bem isso! Ano passado, em 4 meses, minha vida deu uma reviravolta gigantesca... Meus pais foram morar em outra cidade, pois meu pai foi transferido, e eu optei por ficar sozinha para terminar a facul.
    Então, realmente, o futuro é algo que não temos como ditar.

    :*

    ResponderExcluir
  7. Não é um livro que eu compraria. Não por ser ruim, nem nada disso. Simplesmente não faz o meu estilo literário =/
    Mesmo assim, achei o trabalho da capa muito interessante, e gostei da sua resenha. Pra quem gosta do gênero, parece um ótimo livro!
    Beijos.

    ResponderExcluir

Adoro receber críticas construtivas! :)
Sempre que posso reservo um tempo para responder todos os comentários!
Obrigada desde já pelo carinho!

xoxo

© Mundo Platônico Todos os direitos reservados.
Criado por: Gabriela Morgante.
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo